Os manuscritos do Mar Morto

Não é só de lama e sais com minerais de propriedades reconhecidas por todo o mundo que se faz o Mar Morto. Existe muita história associada às margens deste lago, e uma das mais curiosas e intrigantes foi a descoberta de manuscritos com uma grande importância histórica na localidade de Qumran, em 1940.

Os manuscritos do Mar Morto MARNIN

Esta coleção de textos e fragmentos de texto foi descoberta por um grupo de pastores beduínos. Numa ocasião em que um dos seus animais se tinha perdido, foram procurá-lo e encontraram uma caverna, com vários manuscritos. Maravilhados pela descoberta, decidiram tomar posse do máximo de textos possíveis. Depois de várias tentativas mal-sucedidas de vender estes textos a interessados, conseguiram finalmente fechar negócio com um bispo ortodoxo e um membro da Universidade Hebraica, ficando cada um com um dos lotes contendo os manuscritos de Qumran.

Depois de analisados, concluiu-se que estes textos foram compilados por um grupo de judeus conhecidos como Essénios, que viveram na zona de Qumran desde o século II a.C. até 70 d.C. Estes textos correspondem a porções de toda a Bíblia Hebraica, exceto o Livro de Ester e o Livro de Neemias. Havia também alguns Livros apócrifos e alguns livros com as regras da própria seita. Depois de a sua autenticidade ser confirmada, em 1948, os manuscritos de Qumran tornaram-se a versão mais antiga do texto bíblico, datando de mil anos antes do texto original da Bíblia Hebraica (que ainda hoje é seguido).

Em 1954, o governo de Israel adquiriu os dois lotes de manuscritos do Mar Morto.  Outra parte dos textos, que se encontrava em outras dez cavernas, estava na posse do governo da Jordânia. Após a Guerra dos Seis Dias, Israel conseguiu apoderar-se dos restantes manuscritos. Atualmente, estes encontram-se no Santuário do Livro do Museu de Israel, em Jerusalém. Constituem um pedaço de história fascinante, ajudando vários pesquisadores a perceber como viviam os Essénios das margens do Mar Morto. Ainda hoje são ativamente estudados por vários pesquisadores um pouco por todo o mundo, com novas descobertas feitas nos textos quase todos os anos. Por isso, se estiver pela região, valem certamente a pena uma visita ao museu onde se encontram!

 


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